ORAÇÃO DA SERENIDADE

“Senhor, concedei-me a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, Coragem para modificar àquelas que posso, e Sabedoria para distinguir umas das outras.”

Quantos de nós proferimos esta pequena prece no inicio da reunião e, imediatamente esquecemos? Esta é uma prece curta, mas poderosa no mundo de hoje. Nada, é claro, pode substituir a oração do Pai Nosso, mas estas palavras da Oração da Serenidade reúnem uma grande porção de poder e significado:

SENHOR - Proferindo esta palavra, estamos admitindo a existência de um Poder Superior.
CONCEDEI – Com a repetição desta segunda palavra, estamos admitindo que este Poder Superior seja uma autoridade de que pode conceder e dar.
ME – Estamos pedindo alguma coisa para nós mesmos, pois a Bíblia afirma “Peça e lhe será dado”. Não é errado pedir por um melhoramento de seu caráter, pois as pessoas à sua volta ficarão mais felizes.
A SERENIDADE NECESSÁRIA – Estamos pedindo calma, compostura e paz em nossas vidas as quais nos tornarão capazes de pensar certo e governarmo-nos adequadamente.
PARA ACEITAR – Estamos conformando-nos com as condições como elas se encontram no presente momento.
AS COISAS QUE NÃO POSSO MODIFICAR – Estamos aceitando os fatos na vida como eles são. Até que tenhamos a coragem para modificar parte das nossas vidas da qual não gostamos, precisamos aceitá-la de bom grado e não aceitá-la de má vontade.
CORAGEM – Estamos pedindo por uma qualidade de espírito para enfrentar as condições sem hesitar.
PARA MODIFICAR AQUELAS QUE POSSO – Estamos pedindo condições para sermos diferentes. Estamos pedindo ajuda para tomar a decisão certa. Se você tem que tomar uma decisão, considere cuidadosamente o pior que poderia lhe acontecer se a sua decisão não for a certa. Se você puder aceitar o pior e a decisão for lhe tirar do buraco, então prossiga.
SABEDORIA – Estamos pedindo pela habilidade de formarmos julgamentos sólidos em qualquer assunto.
PARA DISTINGUIR – Queremos compreender claramente a compreensão dos fatos.
UMAS DAS OUTRAS – Queremos ver as coisas diferentemente em nossas vidas a fim de que possa haver alguma distinção. Precisamos sentir a valor definitivo da sabedoria acima do álcool, drogas e neuroses se quisermos permanecer limpos.


SOBRIEDADE

Entende-se por sóbrio, um indivíduo moderado, comedido, simples e temperante. Poderíamos acrescentar que sobriedade é a qualidade daquele que conhece a si mesmo e a seus limites, que tem uma boa percepção de si e que é consciente de seu valor. A sobriedade não é um comportamento, mas se revela através de sinais exteriores. Não é algo aprendido nos cursos de etiqueta e postura; é a maneira de ser do indivíduo, é o fruto da maturidade humana. Algumas manifestações de conduta, tais como: comer em excesso, vestir de modo extravagante, falar alto, criar situações para que as atenções se voltem para si (ex.: enfermidades repentinas, dores de cabeça, probleminhas de estômago e outras doencinhas), ausência de auto-domínio e controle das emoções e sentimentos, revelam o quanto o indivíduo é imaturo nas suas relações. Na verdade, bastaria que conhecesse o amor e amasse para não mais precisar de tais subterfúgios. Tais comportamentos, citados acima, são comuns em crianças e adolescentes, que passam por uma fase de egocentrismo, onde necessitam provar o amor de seus pais. Precisam receber amor para descobrir que foram criados para “ser amor”.
O ser humano só se torna amor quando entra na maturidade afetiva, ou seja, quando sente necessidade de amar mais do que ser amado. Tal maturidade se revela no cotidiano, nas relações com as outras pessoas, com o mundo, consigo mesmo e com Deus. Veremos em seguida onde o ser humano pode crescer na virtude da sobriedade.

Sobriedade no falar
Aquele que fala comunica algo, revela a si mesmo e deve estar consciente do bem que faz a quem escuta. As conversas frívolas e as fofocas são evitadas para aquele que deseja crescer nesta virtude. O homem sóbrio destaca-se dos demais na natureza e no tempo do seu discurso. Fala apenas o essencial, não estende a conversa nem procura enfeitá-la com sua imaginação fértil. Considera o silêncio um dom precioso, que promove mais automaticamente a compreensão do que quem nunca pára de falar.

Sobriedade em vestir-se
Aquele que se veste com sobriedade, não procura chamar atenção dos outros para sua vestimenta, pois sabe que seu valor é interior. Não vive de aparência nem é escravo das marcas e etiquetas de roupas. Ao contrário, procura vestir-se de modo simples e discreto.

Sobriedade afetiva
É saber relacionar-se de forma tranqüila e honesta. Respeitar o tempo necessário para o conhecimento recíproco, deixar o outro livre para aproximar-se ou afastar-se, não criar "armadilhas", nem usar de pretexto para chamar atenção do outro sobre si. E, principalmente, procurar amar mais do que ser amado.

Sobriedade na oração
É na simplicidade e na verdade do coração que alcançamos mais rapidamente o coração de Deus. Na oração carismática, somos impelidos a demonstrar o nosso amor a Deus através de cantos, louvores, danças e tudo o mais que o Espírito Santo nos inspirar. Porém, tenhamos cuidado para não nos desviarmos do sentido principal de nossa oração, que é amar a Deus. Podemos ser tentados através do nosso comportamento, aparentar uma espiritualidade fingida e hipócrita.

Sobriedade no trabalho
O ser fiel não se preocupa com o sucesso de seu trabalho, mas com o comprimento daquilo que lhe foi confiado. No serviço a Deus, não nos deixemos levar pela busca do reconhecimento. Desta forma não correremos o risco de buscar a nós mesmos e sim àquele que é digno de todo louvor e glória. Vimos, então, que a sobriedade é fruto não só da maturidade humana como também da maturidade espiritual.

Extraído da Revista SHALON nº. 62
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